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Saúde

Só 5% das crianças têm 3 doses da vacina da covid; veja cenário no RJ

Só 5% das crianças têm as 3 doses da vacina da covid, diz o PNI. No RJ, caxumba quase dobra e cobertura segue abaixo da meta. Veja os dados.

Profissional de saúde aplica vacina em criança em posto de saúde
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Apenas 5% das crianças pequenas do país receberam as três doses da vacina contra a covid-19, segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. O dado foi apresentado pelo diretor do programa, Eder Gatti, durante a 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), realizada no Rio de Janeiro, e divulgado pela Agência Brasil em 23 de outubro.

O índice chama atenção porque a doença continua levando crianças ao hospital. Em 2026, o país registrou mais de mil internações de crianças e adolescentes por covid-19 e 25 mortes, das quais 15 eram de menores de 2 anos, de acordo com os números citados pelo Ministério da Saúde. Mais de 1,1 mil crianças de até 14 anos foram hospitalizadas com quadros respiratórios graves no período.

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No estado do Rio de Janeiro, a vacinação infantil como um todo também enfrenta dificuldades. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) já alertou neste ano para o avanço da caxumba e para coberturas abaixo da meta em vacinas do calendário básico, o que ajuda a explicar a preocupação das autoridades com a queda da adesão.

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O que diz o Ministério da Saúde sobre a baixa adesão

Para Gatti, a baixa cobertura tem relação direta com a desinformação, inclusive com ataques à vacina feitos durante a pandemia. Ele afirmou que a vacina contra a covid-19 é “a mais estudada de todas” e defendeu que o PNI “deve ser muito preservado”. Segundo o Ministério, mais de 6 milhões de doses foram aplicadas em crianças durante a pandemia, sem registro de óbito, e 92% das reações notificadas foram leves e esperadas.

A pasta também cita um estudo da USP com dados de 24 cidades, que apontou redução de 97% nos casos graves em crianças vacinadas. Pesquisa do IBGE de 2023 mostrou que 15% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos não haviam sido vacinados contra a covid-19; quase 40% dos responsáveis citaram medo de reação adversa ou de agulha, 22% consideraram a vacina desnecessária e 18% disseram não confiar no imunizante.

Quem deve se vacinar e como funciona o esquema

Desde 2024, a vacina contra a covid-19 faz parte do calendário básico de vacinação da criança, com doses previstas aos 6, 7 e 9 meses de idade, podendo ser aplicadas até os 5 anos, conforme o Ministério da Saúde. A aplicação é feita nas unidades básicas de saúde. Os frascos são mantidos congelados e, depois de descongelados, têm validade de dez semanas, o que pode gerar perdas de doses quando a procura é baixa, segundo o PNI. Dúvidas sobre a situação vacinal de cada criança devem ser tiradas com a unidade de saúde onde ela é atendida.

Cenário no estado do Rio: caxumba e metas não atingidas

O estado do Rio não divulgou, nas fontes consultadas, a cobertura específica da vacina contra a covid-19 em crianças. Os dados disponíveis sobre o calendário infantil, porém, indicam um cenário de recuperação parcial. Em fevereiro, a Radioagência Nacional informou que a BCG chegou a 94% de cobertura entre recém-nascidos no estado, acima da meta de 90%, e que a tríplice viral em crianças de 1 ano subiu de 77% para 91% em dois anos, segundo o subsecretário de Vigilância e Atenção Primária à Saúde, Mário Sérgio Ribeiro. A reportagem lembra que a vacinação no Rio vinha em queda desde 2016 e foi ainda mais afetada em 2020 e 2021.

Balanço da SES-RJ divulgado no fim de 2025 mostrou, por outro lado, que nenhuma vacina aplicada em crianças de 1 ano alcançou a meta de 95%. A tríplice viral teve 89,85% na primeira dose e 69,20% na segunda. Nos três primeiros meses de 2026, o estado registrou 395 casos de caxumba, contra 210 no mesmo período de 2025, alta de cerca de 88%. A cobertura da tríplice viral, que protege contra a doença, ficou em 85,62% na primeira dose e 70,03% na segunda. Não houve registro de surtos ou mortes até o momento do balanço, e os municípios do Rio, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São Gonçalo e Belford Roxo estavam entre os que exigiam mais atenção.

Em maio, a SES-RJ convocou a população a atualizar a caderneta das crianças após registrar, nos cinco primeiros meses do ano, cobertura de 79,8% para a BCG e de 78,7% para a hepatite B em recém-nascidos, ambas abaixo das metas do Ministério (90% e 95%). A subsecretária Silvia Carvalho afirmou que as vacinas são seguras, gratuitas e acessíveis. Técnicos da pasta também passaram a atuar com buscas ativas em cinco municípios prioritários: Campos dos Goytacazes, Magé, Cabo Frio, Nova Friburgo e São João de Meriti.

Ações do governo federal e contrapontos

O Ministério da Saúde afirma que o orçamento do PNI passou de R$ 5 bilhões para quase R$ 10 bilhões previstos para o próximo ano e que as coberturas vêm sendo recuperadas. Em agosto, durante a campanha de Multivacinação 2026, o ministro Alexandre Padilha disse: “Estamos recuperando a cobertura vacinal, mas sempre temos que manter isso atualizado.” O estado do Rio recebeu 12,62 milhões de doses em 2026, mais 140 mil doses de reforço para a campanha.

Os números, porém, mostram que a recuperação é desigual: algumas vacinas se aproximam das metas, enquanto outras, sobretudo as segundas doses e as aplicadas após o primeiro ano de vida, seguem distantes. Por serem dados de períodos diferentes, cada percentual deve ser lido no contexto de sua divulgação, e as secretarias costumam atualizar os índices ao longo do ano.

O que acompanhar daqui para frente

A baixa cobertura infantil contra a covid-19, somada a metas não atingidas em outras vacinas, mantém o tema na pauta da vigilância em saúde. Para os próximos meses, o desafio apontado por Ministério e SES-RJ é ampliar a busca ativa de crianças com a caderneta incompleta e combater a circulação de informações falsas sobre imunizantes. Pais e responsáveis podem consultar a situação vacinal na unidade básica de saúde mais próxima; a vacinação é gratuita pelo SUS.

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