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Saúde

Hospital de Bonsucesso chega a 450 leitos e amplia atendimento no SUS

Hospital Geral de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, chega a cerca de 450 leitos no SUS e ganha tomógrafo e sala de hemodinâmica. Veja os números e os desafios.

Hospital Geral de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, que chegou a 450 leitos em operação para o SUS
Foto: Rafael Nascimento/Ministério da Saúde (via Agência Brasil)

O Hospital Geral de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, chegou a cerca de 450 leitos em operação para pacientes do SUS e recebeu 17 novos leitos de recuperação pós-cirúrgica, um segundo tomógrafo e uma segunda sala de hemodinâmica. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em visita à unidade na quinta-feira (15), e integra o plano de reestruturação dos hospitais federais do estado.

Segundo o Ministério da Saúde, a unidade opera atualmente com 390 leitos de internação e 61 vagas de emergência, o que totaliza aproximadamente 450 leitos. A emergência 24 horas, que ficou cerca de cinco anos fechada, foi reaberta e hoje atende pacientes de toda a região metropolitana, em especial da Zona Norte e da Baixada Fluminense.

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O hospital é gerido pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), órgão vinculado ao ministério, e é referência de alta complexidade em cardiologia, cirurgia cardíaca e vascular, oncologia, transplantes, tratamento renal, trauma e ortopedia e terapia intensiva.

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O que foi entregue ao hospital

A ampliação da recuperação pós-cirúrgica ocupa cerca de 380 metros quadrados no 5º andar do prédio 1. São três enfermarias, banheiros adaptados, posto de enfermagem central e equipamentos de monitoramento semelhantes aos de uma UTI. Com os 17 leitos novos, o total de leitos de recuperação sobe para 27, alta de 170%, sendo 11 de recuperação pós-anestésica e 6 semi-intensivos.

O segundo tomógrafo deve permitir cerca de 500 exames por mês, segundo o ministério. A nova sala de hemodinâmica tem arco em C, equipamento usado em procedimentos vasculares como angioplastia e arteriografia. O banco de sangue da unidade também recebeu dois freezers de -30 °C, de 350 litros cada, e um congelador rápido capaz de congelar 24 bolsas de sangue em 80 minutos, comprados com R$ 454,8 mil do Novo PAC.

Os números de 2026

De janeiro a setembro deste ano, o hospital registrou 41,3 mil atendimentos de emergência, média de 4,5 mil por mês e cerca de 21% acima da média mensal de 2025. As internações somaram 12,1 mil, média de 1,3 mil por mês, alta de 19% sobre 2025 e de 88% sobre 2024.

No centro cirúrgico, foram 9,8 mil cirurgias no período, já acima das 8,5 mil realizadas em todo o ano passado. As consultas ambulatoriais especializadas ficaram em média de 13,2 mil por mês, 15,5% a mais que em 2025.

Ao comentar os resultados, Padilha afirmou que as cirurgias passaram de cerca de 500 para mais de 1,6 mil e os exames, de cerca de 20 mil para mais de 170 mil. As informações não detalham o período usado como base de comparação, e o crescimento de 55% nas cirurgias mensais citado nos dados oficiais não equivale a triplicar o volume, o que indica que as comparações usam referências diferentes.

Plano para os seis hospitais federais

O Plano de Reestruturação dos Hospitais Federais do Rio de Janeiro foi instituído pelo ministério em julho de 2024 e abrange Bonsucesso, Andaraí, Cardoso Fontes, Lagoa, Ipanema e Servidores. O Rio concentra as únicas unidades federais do país, herança do período em que a cidade era capital da República, até 1960.

Pelo balanço do ministério, o plano contribuiu para reabrir 477 leitos e contratar 3.239 profissionais. Na comparação com 2022, a rede registra alta de 708,5% nos atendimentos de emergência, 38,8% nas internações, 28,7% nos procedimentos cirúrgicos e 30,8% nas consultas médicas. O programa tem parceria com a Prefeitura do Rio, o GHC, a Fiocruz, o HUBrasil e universidades federais.

Um levantamento da Câmara dos Deputados citado em reportagem da Agência Pública indica que os leitos operacionais de Bonsucesso passaram de 215 para 423 e que o quadro de pessoal cresceu 73%. O orçamento anual somado dos seis hospitais subiu de cerca de R$ 800 milhões para R$ 2 bilhões, conforme a mesma apuração.

Pontos de atenção e contrapontos

A reestruturação convive com problemas que ainda não foram resolvidos. A fila de espera por cirurgias nos hospitais federais do Rio subiu de aproximadamente 18 mil para 21 mil pacientes desde 2024, segundo a Agência Pública. Em 2025, a Defensoria Pública da União constatou, em inspeção em Bonsucesso, biópsias armazenadas por meses em frascos com formol por falta de patologistas suficientes.

A mesma reportagem aponta que alguns serviços perderam produção no período, como as consultas ambulatoriais em Ipanema e procedimentos no Lagoa. O histórico da rede também pesa na avaliação: durante a pandemia de covid-19, a CPI do Senado constatou que cerca de 30% dos leitos clínicos e de UTI dos hospitais federais da capital estavam fechados, principalmente por falta de pessoal. Em Bonsucesso, um incêndio no almoxarifado em 2020 matou quatro pacientes com covid, e 126 dos 411 leitos chegaram a ficar bloqueados.

Impacto para a população

Para quem depende do SUS na Zona Norte e na Baixada, a reabertura da emergência e a ampliação de exames de imagem e de procedimentos cardiovasculares podem reduzir deslocamentos e o tempo de espera por atendimento de alta complexidade. A efetividade, porém, depende da manutenção das equipes, da regulação de vagas e da redução da fila cirúrgica, indicadores que seguem em acompanhamento. Quem precisa de atendimento deve procurar a unidade de saúde de referência ou a central de regulação do município.

O Correio da Cidade Online procurou os números junto a fontes públicas e seguirá acompanhando a evolução da rede federal de hospitais no Rio.

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