Água volta no Leste Fluminense, mas normalização pode levar 72 horas
Cedae conclui manutenção no Imunana-Laranjal e água volta a Niterói, SG, Maricá e Itaboraí, mas regularização pode levar 72h. Veja o que fazer.
A Cedae concluiu às 4h desta quarta-feira (28) a manutenção anual do Sistema Imunana-Laranjal, que responde pela água consumida por cerca de 2 milhões de pessoas no Leste Fluminense. A produção foi retomada de forma gradual e chegou a 100% da capacidade às 8h30, mas as concessionárias avisam que a água pode levar até 72 horas para voltar normalmente a todas as torneiras de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e da Ilha de Paquetá.
A parada programada começou às 4h de terça-feira (27) e durou 24 horas. Nesse período, foram interrompidas a captação de água bruta e a operação da Estação de Tratamento de Água (ETA) Laranjal, em São Gonçalo. Segundo a Cedae, a equipe executou mais de 40 intervenções, entre inspeções, limpeza de estruturas hidráulicas, ajustes em sistemas automatizados, verificações de segurança e melhorias elétricas e civis.
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Entre os serviços, a companhia instalou um macromedidor na adutora principal do sistema, equipamento que mede o volume total de água transportado. A medição deve ajudar a controlar a distribuição e a identificar perdas no sistema.
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Por que a água demora a chegar
O fim da manutenção não significa retorno imediato do serviço. Depois de uma paralisação prolongada, os reservatórios precisam ser reabastecidos e a pressão das tubulações tem de ser recomposta antes que a água alcance todos os imóveis. Por isso, a previsão de até 72 horas para a normalização é uma estimativa, e não um prazo garantido.
De acordo com a Águas do Rio, a recuperação tende a ser mais lenta em áreas elevadas, nas pontas da rede de distribuição e em locais onde ocorrerem vazamentos ou outros incidentes durante o período. Em Niterói, onde a distribuição é feita pela Águas de Niterói, alguns imóveis ainda podem ter pressão reduzida ou interrupções temporárias, segundo informou a concessionária ao site Cidade de Niterói.
A Cedae é responsável apenas pela produção da água tratada. A entrega aos consumidores fica a cargo das concessionárias privadas: Águas do Rio em São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Paquetá, e Águas de Niterói em Niterói. Em Itaboraí, o sistema fornece água bruta.
Concessionária aproveitou a parada para obras
A Águas do Rio informou ter feito 20 intervenções na rede durante a parada. Em São Gonçalo, foram instaladas seis válvulas no Booster Marques Maneta, unidade de bombeamento que abastece 18 bairros do município. Segundo a empresa, as peças permitirão fazer manutenção nas bombas no futuro sem desligar toda a estrutura. Houve ainda serviços em outros pontos da rede gonçalense, não detalhados pela concessionária.
Em Itaboraí, foi instalada uma válvula de acionamento remoto na saída do reservatório de Manilha, que pode ser controlada em tempo real pelo Centro de Operações Integradas da empresa. Em Maricá, a concessionária diz ter feito melhorias na infraestrutura que atende os distritos de Inoã e Itaipuaçu, com o objetivo de tornar o fornecimento mais regular.
O diretor-executivo da Águas do Rio, Malcom Bispo, afirmou que a empresa aproveitou a paralisação para fazer melhorias estratégicas no Leste Fluminense e fortalecer a infraestrutura para o verão. A eficácia das intervenções, porém, só poderá ser medida nos próximos meses, quando o consumo aumenta com o calor.
Paradas anuais e impacto para a população
A manutenção do Imunana-Laranjal é feita todos os anos antes do verão. Em outubro de 2025, a parada durou das 4h às 22h e mobilizou cerca de 200 trabalhadores, também com previsão de até 72 horas para a normalização. Em maio deste ano, uma intervenção pontual para troca de um macromedidor reduziu a produção do sistema a cerca de 85% da capacidade por 12 horas, com reflexos em bairros de Niterói e São Gonçalo.
A repetição das paradas e a demora na recomposição da rede afetam sobretudo moradores de áreas altas e de bairros mais distantes das adutoras principais, que costumam ser os últimos a receber água. Nesses locais, famílias sem caixa d’água ou cisterna dependem de carros-pipa, que, segundo a Águas do Rio, serão priorizados para hospitais e unidades de urgência e emergência.
O que fazer e onde reclamar
As concessionárias recomendam:
- usar a água armazenada em caixas e cisternas apenas para alimentação e higiene;
- adiar tarefas de alto consumo, como lavar roupas em grande volume, carros, calçadas e quintais;
- reduzir o tempo de banho e verificar se torneiras e registros estão fechados.
Clientes da Águas do Rio podem registrar falta d’água pelo telefone 0800 195 0 195, que também atende por WhatsApp, 24 horas. Em Niterói, a Águas de Niterói atende pelo 0800 723 1222 e pelo WhatsApp (21) 97211-8064. Se o problema não for resolvido, o consumidor pode recorrer à Agenersa, agência reguladora estadual, pelo 0800 024 9040.
Próximos dias
Com a produção já em 100%, a expectativa é de que o abastecimento se regularize gradualmente até sábado (31). Moradores que continuarem sem água após esse prazo devem registrar protocolo junto à concessionária, informando endereço completo, para que o caso seja acompanhado e, se necessário, levado ao órgão regulador.



