Diretora de presídio em Benfica é presa por desvio de 70 kg de comida
Diretora de presídio feminino em Benfica é presa por peculato com 70 kg de alimentos. Seppen abre processo disciplinar; defesa não se manifestou.
A diretora do Instituto Penal Oscar Stevenson, presídio feminino do complexo de Benfica, na Zona Norte do Rio, foi presa em flagrante por suspeita de peculato, após ser abordada com cerca de 70 quilos de alimentos que, segundo a apuração, deixaram a unidade sem nota fiscal nem qualquer documento de saída. O caso foi divulgado na quinta-feira (22) e levou a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) a abrir um processo administrativo disciplinar.
A ação partiu de uma denúncia sobre irregularidades no destino dos alimentos da unidade. De acordo com as informações divulgadas, agentes da Seppen, entre eles integrantes da inteligência e da Corregedoria, abordaram o carro dirigido pela diretora perto do presídio. Ela foi levada à 21ª DP (Bonsucesso), onde foi autuada em flagrante.
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Entre os itens citados nas reportagens estão carnes, frango, peixe, linguiça, queijos, frutas, óleo, leite, café e achocolatado. Os valores dos produtos não foram informados, e a diretora não teria apresentado notas fiscais ou termo de saída que comprovassem a origem ou a destinação legal do material.
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O que se sabe sobre a prisão
Segundo o jornal O São Gonçalo, a abordagem foi feita por agentes da Polícia Penal e, depois da prisão em flagrante, o Núcleo de Atuação perante a Central de Audiência de Custódia do Ministério Público do Rio de Janeiro (NACAC/MPRJ) obteve a conversão do flagrante em prisão preventiva. O órgão defendeu a medida “para garantir a ordem pública” e sustentou que a servidora teria usado o cargo e um veículo oficial para desviar alimentos públicos destinados a presas e servidores. Trata-se de acusação, que ainda precisa ser analisada pela Justiça.
A CNN Brasil e a revista IstoÉ registram que o caso chegou à Corregedoria por denúncia. Há divergência de termos entre os veículos sobre a situação funcional: a CNN fala em afastamento, enquanto a IstoÉ menciona exoneração do cargo na quarta-feira (21). Em ambos os casos, a Seppen informou que instaurou processo administrativo disciplinar para apurar a conduta.
A versão da diretora e a posição da Seppen
De acordo com a IstoÉ, a diretora afirmou que os alimentos vinham de uma arrecadação feita na própria unidade e seriam destinados a um centro espírita. As autoridades analisam essa versão. A defesa não havia se manifestado publicamente até a divulgação das reportagens, e o nome da servidora não foi divulgado pelos veículos consultados.
Em nota, a Seppen declarou que não tolera desvios de conduta nem crimes cometidos por servidores e que atua no combate a essas práticas por meio da Corregedoria. A secretaria não detalhou, nos textos consultados, quem assume a direção do Instituto Penal Oscar Stevenson nem se haverá mudanças no controle de estoque e saída de alimentos nas unidades.
O que é peculato e o que acontece agora
O peculato está previsto no artigo 312 do Código Penal e ocorre quando um funcionário público se apropria de bem público, ou o desvia, em proveito próprio ou alheio, valendo-se do cargo. A pena prevista é de reclusão de dois a 12 anos, além de multa. Como a prisão foi convertida em preventiva, a diretora permanece detida enquanto o processo avança, e caberá à Justiça avaliar se houve crime e qual a responsabilidade de cada envolvido.
Na esfera administrativa, o processo disciplinar corre em paralelo e pode resultar em penalidades que vão de advertência à demissão, a depender do que for comprovado. As duas apurações são independentes: uma eventual absolvição criminal não encerra automaticamente o procedimento interno, e o contrário também vale.
Por que o caso importa para a população
A alimentação de presas e a rotina de uma unidade prisional são custeadas com dinheiro público. Quando há suspeita de desvio, o impacto recai sobre quem depende do fornecimento regular, como as internas, e também sobre a confiança no controle do sistema prisional, que já enfrenta cobranças recorrentes sobre fiscalização e transparência. O fato de a denúncia ter partido de dentro da própria estrutura de segurança, com atuação da Corregedoria, mostra um mecanismo de controle interno funcionando, mas também levanta a pergunta sobre há quanto tempo a prática teria ocorrido, algo que não foi esclarecido.
O Instituto Penal Oscar Stevenson fica no complexo de Benfica, na Zona Norte da capital fluminense, e abriga mulheres privadas de liberdade. Os textos consultados não informam a população atual da unidade.
O que ainda falta esclarecer
Restam em aberto o valor estimado dos produtos, o período em que as saídas teriam ocorrido, a comprovação da versão sobre o centro espírita e eventual participação de outras pessoas. A Seppen e o MPRJ ainda podem divulgar detalhes conforme o inquérito avançar. O Correio da Cidade Online acompanha o caso e atualiza esta reportagem caso a defesa ou os órgãos envolvidos se manifestem.
Informações de O São Gonçalo, CNN Brasil e IstoÉ, publicadas em 22/10/2026.



