Outubro Rosa: RJ deve ter 10,3 mil casos de câncer de mama em 2026
A campanha Outubro Rosa começou nesta quinta-feira (1º) com um dado que dimensiona o desafio no estado: o Rio de Janeiro deve registrar cerca de 10.

A campanha Outubro Rosa começou nesta quinta-feira (1º) com um dado que dimensiona o desafio no estado: o Rio de Janeiro deve registrar cerca de 10.360 novos casos de câncer de mama em 2026, segundo projeção do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O mês de mobilização chega com regras de rastreamento ampliadas no SUS, oferta de exames em unidades do Sesc RJ e um gargalo antigo ainda sem solução: a fila de espera por mamografia na rede pública.
O tamanho do problema
As estimativas do Inca para o triênio 2026-2028, divulgadas em fevereiro, projetam 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, alta de 10,9% em relação ao período anterior. Excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais frequente entre as mulheres, com 78.610 casos estimados por ano no país. O câncer do colo do útero, que também é foco do Outubro Rosa, deve somar 19.310 novos diagnósticos anuais.
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No estado do Rio, a previsão de pouco mais de 10 mil casos de câncer de mama neste ano coloca a doença entre as principais demandas da rede oncológica fluminense, que atende pacientes de todos os 92 municípios, incluindo Niterói, São Gonçalo, Maricá e Itaboraí.
O que mudou nas regras da mamografia
Esta é a segunda edição do Outubro Rosa sob as novas diretrizes do Ministério da Saúde, anunciadas em setembro de 2025. Pelas regras atuais, mulheres de 40 a 49 anos podem fazer a mamografia pelo SUS sob demanda, após conversa com o profissional de saúde sobre benefícios e riscos do exame. Antes, a recomendação começava aos 50.
O rastreamento ativo, em que a rede convoca as pacientes, vale para a faixa de 50 a 74 anos, com exame a cada dois anos. O limite anterior era 69 anos. Na época do anúncio, o ministério informou que cerca de 23% dos casos de câncer de mama ocorrem entre 40 e 49 anos e que 30% das mamografias feitas no SUS em 2024 já eram de pacientes com menos de 50 anos, o que somou mais de 1 milhão de exames. No total, a rede pública realizou cerca de 4 milhões de mamografias de rastreamento naquele ano.
Exames no Sesc RJ durante o mês
Entre as ações anunciadas para o início da campanha, o Sesc RJ vai oferecer mamografia, exame preventivo (Papanicolau), ultrassonografia de mama, consultas de enfermagem e atendimento social em dez unidades: Barra Mansa, Campos, Duque de Caxias, Madureira, Nova Iguaçu, Ramos, São João de Meriti, Tijuca e Três Rios, além do Centro de Abastecimento Guanabara, este restrito a funcionários.
A mamografia é oferecida a mulheres de 40 a 74 anos, e o Papanicolau, à faixa de 25 a 64 anos. Para o público em geral, os exames custam entre R$ 30 e R$ 55. Trabalhadores do comércio e seus dependentes têm gratuidade de 1º a 31 de outubro; participantes do Programa de Comprometimento e Gratuidade (PCG), ONGs e instituições parceiras, de 16 a 31 de outubro. Segundo a instituição, os atendimentos podem se estender até dezembro, conforme disponibilidade de vagas. O agendamento é feito presencialmente nas unidades ou por telefone.
Na rede pública, a porta de entrada continua sendo a Clínica da Família ou a unidade básica de saúde do bairro, onde o pedido de mamografia é feito e encaminhado pela regulação.
A fila que a campanha não resolve
A ampliação da faixa etária aumenta a demanda sobre uma rede que já enfrenta espera. Levantamento do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), com dados de junho de 2024, apontou 77.243 mulheres aguardando mamografia no SUS em todo o país. O Rio de Janeiro aparecia em terceiro lugar, com cerca de 12,5 mil pacientes na fila, atrás de Santa Catarina e São Paulo. Em algumas regiões, a espera chegava a 80 dias.
O próprio CBR alertou que os números oficiais tendem a subestimar a demanda real, porque o sistema nacional depende do envio voluntário de informações por estados e municípios. Além do acesso ao exame, o tempo entre a suspeita, a biópsia e o início do tratamento é decisivo para o prognóstico, o que faz das ações concentradas em outubro um reforço, e não um substituto, para a oferta regular ao longo do ano.
O Ministério da Saúde tem apostado em carretas de mamografia para reduzir vazios assistenciais. No lançamento das novas regras, a pasta anunciou 27 unidades móveis em 22 estados e investimento de R$ 18 milhões na operação.
Por que o diagnóstico precoce importa
Segundo o Inca, as chances de cura do câncer de mama são significativamente maiores quando o tumor é identificado em estágio inicial. Por isso, a orientação é que mulheres na faixa recomendada mantenham a mamografia em dia e procurem atendimento diante de sinais como nódulo na mama ou na axila, alterações no mamilo, saída de secreção ou mudanças na pele da mama, independentemente da idade.
O que esperar até o fim do mês
Ao longo de outubro, prefeituras da Região Metropolitana costumam promover mutirões e dias de ação em unidades básicas, e o calendário municipal deve ser divulgado pelas secretarias de saúde. O desafio para gestores estaduais e municipais será transformar a mobilização de outubro em redução efetiva da fila e do tempo até o tratamento, indicador que define, na prática, quantas mulheres terão diagnóstico a tempo.
Foto: José Cruz/Agência Brasil (imagem de arquivo)
