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Saúde

Carreta de cardiologia do SUS atende na Penha até 6 de novembro

Carreta do Agora Tem Especialistas oferece consultas e exames de cardiologia na Penha até 6/11, com meta de 1,5 mil procedimentos por mês. Veja como ser atendido.

Carreta de cardiologia do programa Agora Tem Especialistas instalada no bairro da Penha, Zona Norte do Rio
Foto: Rafael Nascimento/Ministério da Saúde (CC BY-ND 3.0)

Uma carreta de cardiologia do programa federal Agora Tem Especialistas funciona no bairro da Penha, na Zona Norte do Rio, e permanece na capital fluminense até 6 de novembro. A unidade móvel, apresentada pelo Ministério da Saúde em 9 de outubro, prevê mais de 1,5 mil procedimentos por mês e atende apenas pacientes encaminhados pela rede pública.

A carreta foi instalada na região do Complexo da Penha, que, segundo o Ministério da Saúde, tem mais de 100 mil habitantes. A estrutura vai atender moradores de 13 comunidades. A secretária de Atenção Primária do ministério, Ana Luiza Caldas, afirmou na apresentação: “Estamos no Complexo da Penha, onde temos uma fila muito grande na cardiologia”.

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Segundo o ministério, o equipamento reúne consultório especializado, eletrocardiograma, ecocardiograma, Holter, MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial) e raio-X digital. A equipe é formada por cardiologista, enfermeiro, técnico de enfermagem, profissional de apoio remoto e agente do cuidado.

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Como funciona o atendimento

O acesso não é por demanda espontânea. De acordo com o Ministério da Saúde, o paciente precisa ser encaminhado pela rede pública, e os agendamentos passam pela regulação local do SUS, sob responsabilidade de estados e municípios. Relatos publicados pela imprensa sobre o primeiro dia indicam que uma das primeiras pacientes, de 98 anos, estava na fila do Sisreg, o sistema de regulação, à espera de vaga.

Os exames servem para investigar alterações no coração e na pressão arterial e para acompanhar o funcionamento cardíaco ao longo do dia. Também estão previstas avaliação médica, orientação de tratamento e acompanhamento de doenças já diagnosticadas. O ministério não divulgou, nas notas consultadas, o endereço exato da carreta nem os horários de funcionamento. Quem busca atendimento deve procurar a unidade básica de saúde de referência ou a regulação municipal.

O peso das doenças do coração no país

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), que registra um óbito a cada 72 segundos. Em 2025, foram cerca de 398 mil mortes por essas doenças, conforme os dados divulgados pelo ministério. No mesmo ano, o país realizou 326,5 mil cirurgias do aparelho circulatório.

Entre 2023 e julho de 2026, o SUS registrou 2,6 milhões de internações por doenças cardiovasculares. Os transplantes de coração somaram 428 em 2025 e 288 entre janeiro e agosto de 2026. Em setembro, foi sancionada a Lei originada do Projeto de Lei nº 5.972/2023, que amplia a oferta de medicamentos trombolíticos, inclusive em UPAs, para o tratamento de infarto e AVC isquêmico.

O programa Agora Tem Especialistas

A carreta da Penha integra o Agora Tem Especialistas, que também mantém unidades móveis de saúde da mulher, oftalmologia, saúde bucal e exames de imagem. Segundo o ministério, as carretas já realizaram mais de 1,2 milhão de procedimentos, beneficiaram cerca de 458 mil pessoas em mais de 4,5 mil municípios e contribuíram para zerar 104 filas. Há 132 unidades móveis em funcionamento no país, 10 delas em municípios fluminenses. O ministro Alexandre Padilha visitou a unidade da Penha.

Limites e contrapontos

A presença da carreta é temporária: até 6 de novembro, cerca de quatro semanas após a inauguração. Ana Luiza Caldas disse que a estrutura “vem para somar” às consultas e aos exames já ofertados, o que indica que ela não substitui a atenção básica nem a rede de especialidades. A meta de 1,5 mil procedimentos por mês, divulgada pelo próprio governo federal, é uma previsão e não um resultado medido. O Correio da Cidade Online não encontrou, até esta publicação, números sobre o tamanho da fila de cardiologia na região nem sobre o que acontecerá com os pacientes em acompanhamento depois da saída da unidade. A Prefeitura do Rio e a Secretaria de Estado de Saúde foram citadas apenas indiretamente como responsáveis pela regulação, e o espaço segue aberto para posicionamento dos órgãos.

O que fica para a população

Para moradores da Zona Norte com pedido de consulta ou exame cardiológico na fila, a carreta pode encurtar a espera, desde que o encaminhamento esteja regularizado no sistema. Para quem ainda não tem diagnóstico, o caminho continua sendo o posto de saúde da região. Sinais como dor no peito, falta de ar súbita ou fraqueza em um lado do corpo exigem atendimento de urgência e não devem aguardar agendamento.

Foto: Rafael Nascimento/Ministério da Saúde (CC BY-ND 3.0).

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