Itaguaí escolhe prefeito neste domingo com candidata sub judice
Itaguaí elege prefeito no domingo (25) em eleição suplementar com 4 chapas e 100 mil eleitores. Kelaine Goulart concorre sub judice. Entenda.
Os 100.477 eleitores de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio, terão duas escolhas a fazer na urna neste domingo (25). Além do segundo turno da eleição presidencial, a cidade realiza uma eleição suplementar para prefeito e vice, convocada depois que a Justiça Eleitoral barrou a candidatura de Rubem Vieira de Souza, o Dr. Rubão (Podemos), vencedor nas urnas em 2024. Quatro chapas estão na disputa, e uma delas, a de Kelaine Goulart (Novo), concorre sub judice, com o registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).
A votação vai das 8h às 17h. Na urna eletrônica, o eleitor vota primeiro para presidente e, em seguida, para prefeito. Quem for eleito governará até 31 de dezembro de 2028, completando o mandato que começou com as eleições municipais de 2024. Desde o ano passado, o município é administrado de forma interina pelo presidente da Câmara Municipal, Haroldo Jesus Neto, o Haroldinho (PDT), que também é candidato.
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A eleição encerra um ciclo de quase dois anos de instabilidade na prefeitura, marcado por idas e vindas judiciais, troca de comando e restrições impostas às contas públicas. O resultado deve ser conhecido ainda na noite de domingo, pelo site do TRE-RJ e pelos aplicativos da Justiça Eleitoral.
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Por que Itaguaí volta às urnas
A origem da eleição suplementar está em 2020. Naquele ano, Dr. Rubão presidia a Câmara Municipal e assumiu a prefeitura entre julho e dezembro, após o afastamento do prefeito e do vice. Meses depois, venceu a eleição regular e governou de 2021 a 2024. Ao disputar novamente em 2024, foi o mais votado, mas teve a candidatura contestada: para a Justiça Eleitoral, a vitória representaria um terceiro mandato consecutivo como chefe do Executivo, o que a Constituição proíbe.
O caso percorreu todas as instâncias. Haroldinho assumiu interinamente em janeiro de 2025. Dr. Rubão voltou ao cargo em junho daquele ano por força de uma liminar, mas deixou a prefeitura novamente em novembro, quando a decisão caiu. Em fevereiro de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou o último recurso da defesa e, em junho, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou por unanimidade o indeferimento, abrindo caminho para o novo pleito, cujo calendário foi definido pela Resolução TRE-RJ 1.413/26.
Quem está na disputa
Seis chapas chegaram a ser registradas em agosto, mas duas ficaram pelo caminho: Alexandre Valle (PL) renunciou à candidatura e Dr. Helinho (PRD) teve o registro indeferido. Seguem na urna, em ordem numérica:
- Haroldinho Jesus (PDT, 12) – prefeito interino e presidente da Câmara, vereador eleito em 2020 e reeleito em 2024. Disputa a prefeitura pela primeira vez, com Fabinho Taciano (PP) como vice.
- Luciano Mota (PT, 13) – ex-prefeito eleito em 2012 e afastado em 2015 por decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2). Concorre pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), com o vice Dr. Paulo Wesley (PT).
- Kelaine Goulart (Novo, 30) – candidata em 2024, lidera a coligação “Povo no Poder” (Novo e MDB), com Beto do Posto (Novo) como vice. Concorre sub judice.
- Marcelo Cunha (Democrata, 35) – jornalista, disputa sua primeira eleição em chapa pura, com Dany Van Tol como vice.
A situação de Kelaine Goulart
O registro de Kelaine foi indeferido em 14 de setembro pela 105ª Zona Eleitoral, após impugnações do PSD e do Ministério Público Eleitoral. A candidata também havia se registrado para deputada federal na eleição geral de 4 de outubro, e a Justiça aplicou o artigo 88 do Código Eleitoral, que veda o registro da mesma pessoa para cargos diferentes em mais de uma circunscrição. Em 15 de outubro, o TRE-RJ manteve a decisão por unanimidade. O relator, Bruno Bodart, apontou que a dupla candidatura poderia comprometer “a igualdade entre os concorrentes” e dificultar a “fiscalização dos recursos das campanhas”. No dia 21, a Corte rejeitou também os embargos de declaração.
A defesa sustenta que se trata de processos eleitorais distintos e recorreu ao TSE. Enquanto não houver decisão definitiva, a Lei das Eleições permite que o candidato sub judice faça campanha e mantenha nome e foto na urna, mas a validade dos votos depende do deferimento do registro. Na prática, se Kelaine for a mais votada e o indeferimento for mantido, seus votos podem ser anulados, o que pode levar a um novo capítulo judicial no município. A candidata afirmou que segue em campanha e que “a decisão final cabe à Justiça Eleitoral”.
O que está em jogo para a cidade
Itaguaí abriga um dos principais portos do país, que movimentou cerca de 62,8 milhões de toneladas em 2025, segundo dados do Ministério de Portos e Aeroportos, além de estruturas estratégicas como o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) e a Nuclep. A relevância econômica, porém, contrasta com a situação das contas municipais.
Em julho de 2025, o Ministério Público do Rio (MPRJ) obteve na Justiça uma decisão para reduzir gastos com pessoal e restringir contratações, após apontar irregularidades fiscais em 2023 e 2024. Em dezembro do mesmo ano, a dívida da prefeitura com o Itaprevi, instituto de previdência dos servidores, superava R$ 112 milhões, e uma lei municipal aprovada em abril de 2026 autorizou o parcelamento das contribuições em até 60 vezes. Na saúde, a reforma do Hospital Municipal São Francisco Xavier, prevista para novembro de 2025, teve a conclusão adiada para fevereiro de 2027.
O novo prefeito também terá de construir relação com o governador eleito Douglas Ruas (PL), que toma posse em janeiro, e com o governo federal que sair das urnas neste mesmo domingo.
Como votar
É obrigatório apresentar documento oficial com foto, como carteira de identidade, CNH ou passaporte; o e-Título vale se exibir a foto do eleitor. Celulares não podem entrar na cabine, e a Justiça Eleitoral recomenda levar os números dos candidatos anotados em papel. Os ônibus municipais de Itaguaí serão gratuitos das 6h30 às 19h20. Dúvidas sobre o local de votação podem ser tiradas no site do TRE-RJ, no aplicativo e-Título ou pelo Disque TRE-RJ, no (21) 3436-9000, que funciona no sábado das 9h às 19h e no domingo das 6h às 18h.
Próximos passos
Encerrada a apuração, a Justiça Eleitoral diplomará a chapa vencedora, e a posse está prevista para novembro. O cenário só ficará totalmente definido, porém, após o julgamento do recurso de Kelaine Goulart no TSE, que pode confirmar o resultado das urnas ou exigir novos ajustes. Para os moradores de Itaguaí, a expectativa é que o domingo marque o fim da gestão interina e o início de um mandato com prazo de pouco mais de dois anos para enfrentar as dívidas e a retomada dos serviços públicos.



