Polícias do Rio recebem fuzis antidrones de R$ 5 milhões
PM e Polícia Civil do Rio recebem os primeiros fuzis antidrones, de R$ 5 milhões, que bloqueiam sinais a até 3 km. Veja como funcionam e o que falta saber.
A Polícia Militar e a Polícia Civil do Rio de Janeiro receberam nesta quinta-feira (22) os primeiros fuzis antidrones do estado, equipamentos que interrompem o sinal de aeronaves remotamente pilotadas a até três quilômetros de distância. O investimento total é de R$ 5 milhões, segundo as informações divulgadas após a cerimônia de entrega.
O aparelho, chamado de “Jammer Antidrone” e apelidado de “bazuca antidrone”, não dispara projéteis. Ele emite ondas de radiofrequência e sinais eletromagnéticos que bloqueiam a comunicação entre o drone e o operador, o que impede o sobrevoo. A entrega foi feita por representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), e fotos da solenidade foram creditadas ao Governo do Estado.
CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE:
Policiais militares e civis também passaram por treinamento sobre o uso seguro dos equipamentos, conduzido por especialistas do escritório antifacção que o governo federal instalou no Rio. Segundo a imprensa local, a experiência deve ser replicada em breve em São Paulo, Bahia e Ceará. O número de unidades entregues nesta primeira remessa não foi informado.
Leia mais:
- RJ prevê só em março de 2027 contratar novas câmeras corporais da PM
- PF prende mãe e irmão de Oruam em ação contra ‘internet do CV’ no Rio
- CIDH condena operação policial que deixou mais de 120 mortos no Rio
Por que a polícia busca contramedidas contra drones
Nas informações divulgadas, as autoridades justificam a compra pelo uso crescente de drones por grupos criminosos. De acordo com a nota das polícias, os criminosos monitoram deslocamentos das forças de segurança e de facções rivais, transportam armas e drogas e chegaram a lançar granadas por meio das aeronaves.
O recurso já apareceu em grande escala durante a Operação Contenção, nos complexos da Penha e do Alemão, em 28 de outubro de 2025. Cerca de 2,5 mil agentes foram mobilizados naquele dia, e vídeos gravados por moradores mostraram um drone lançando granadas na região da Penha, conforme reportagens da época. A polícia também usou drones, no caso para localizar suspeitos armados na mata da Vila Cruzeiro. Em balanço posterior, o governo estadual estimou 119 mortes na ação, número que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) situou acima de 120 ao condenar a operação.
Como funciona o equipamento e quais são seus limites
Diferentemente de uma arma de fogo, o aparelho atua sobre o sinal que liga o drone ao controle remoto. Ao ser interrompido, o drone perde o comando do operador. As reportagens que descrevem a entrega informam o alcance de até três quilômetros, dado atribuído à nota policial, mas não trazem testes de desempenho nem avaliação independente.
Essa ausência de detalhes é um dos pontos em aberto. As informações públicas até agora não indicam quantos fuzis foram entregues, como serão distribuídos entre os batalhões e as delegacias, em quais operações serão empregados nem se há protocolos para evitar interferência em outros sinais de comunicação em áreas densamente povoadas. Nenhuma das reportagens consultadas traz declaração direta do governador, do ministro da Justiça ou de comandantes das polícias sobre o tema, e também não há registro de análise de especialistas externos.
Contexto da segurança pública no estado
A entrega ocorre em um momento em que o debate sobre a atuação policial permanece em evidência no Rio. Nos últimos dias, o Correio da Cidade Online noticiou, entre outros temas, a previsão do governo estadual de licitar novas câmeras corporais somente em março de 2027, com o Ministério Público do Rio (MPRJ) cobrando regras para a guarda das imagens, e a Operação Backbone, da Polícia Federal, contra o monopólio de internet exercido pelo Comando Vermelho. A cobrança do MPRJ por regras para as imagens das câmeras mostra que o controle das ações policiais segue como tema de disputa entre instituições.
O que esperar
Com a fase inicial de implantação e treinamento em andamento, os equipamentos devem passar a integrar a rotina da PM e da Polícia Civil, mas nem o cronograma nem os critérios de uso foram divulgados. Caberá às autoridades detalhar quantidade, custo por unidade e regras de emprego, informações que permitem à população acompanhar se a tecnologia cumpre o objetivo declarado de reduzir o uso de drones por criminosos. O portal segue acompanhando o caso e atualizará a matéria caso o governo estadual ou o MJSP divulguem novos dados.



