Com Lula reeleito, disputa pelo comando da Alerj muda de rumo
Reeleição de Lula reacende candidatura de Ceciliano (PT) à presidência da Alerj. PL, com 21 deputados, divide-se entre Delaroli e Anderson Moraes.
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada neste domingo (25), mexeu com a disputa pelo comando da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a partir de 2027. Até a véspera do segundo turno, o PL do governador eleito Douglas Ruas trabalhava para manter a presidência da Casa sem grandes sobressaltos. Com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa nacional, a candidatura do ex-presidente da Alerj André Ceciliano (PT) passou a ser apontada nos bastidores como a mais competitiva, segundo a coluna de Berenice Seara no portal Tempo Real RJ, publicada na manhã desta segunda-feira (26).
A eleição da nova Mesa Diretora, que definirá quem comanda a Assembleia no biênio 2027-2028, está prevista para fevereiro, junto com a posse dos 70 deputados eleitos em 4 de outubro. Até lá, nenhuma candidatura foi oficializada, e os cenários descritos por parlamentares e colunistas ainda dependem de negociações entre os partidos.
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O cargo tem peso direto sobre o próximo governo. É o presidente da Alerj quem define a pauta de votações, incluindo o orçamento e os projetos enviados pelo Executivo, e integra a linha sucessória do governo estadual, tema que esteve no centro da crise institucional que o estado atravessou em 2026.
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A conta dos votos no plenário
Para vencer, um candidato precisa de maioria entre os 70 deputados, e a maioria absoluta da Casa é de 36 votos. O PL sai das urnas com a maior bancada, 21 cadeiras, mas longe desse número. PT e PSD elegeram nove deputados cada; PSOL e PP, cinco; União Brasil, quatro; Republicanos, três; MDB, PDT, Solidariedade e PSB, dois cada; e PCdoB, Novo, PSDB, Agir, PRD e DC, um cada.
Somados, os partidos de oposição ao futuro governo, incluindo PT, PCdoB, PSOL, PDT, PSB e o PSD do ex-prefeito Eduardo Paes, chegam a 28 deputados, sete a mais que o PL, segundo levantamentos publicados pelo Tempo Real RJ e pelo site Agenda do Poder. O fiel da balança tende a ser o centro: PP e União Brasil, que discutem a formação de uma federação, reúnem nove parlamentares.
Quem é André Ceciliano
Ceciliano foi eleito para o quinto mandato de deputado estadual com 70.628 votos. Presidiu a Alerj entre 2019 e 2023: foi eleito para o cargo em 2019 com 49 votos e reconduzido em 2021 com 64 dos 69 votos, num sinal da boa relação com deputados de diferentes partidos, inclusive de direita. Em 2022, deixou a Assembleia para disputar o Senado, quando teve cerca de 1 milhão de votos, sem se eleger. Depois, foi secretário de Assuntos Federativos da Presidência da República, responsável pela articulação entre União, estados e municípios.
Paes já havia declarado apoio a uma eventual candidatura de Ceciliano ao comando da Casa, de acordo com a Rede MRio. Antes do segundo turno, o próprio petista evitava antecipar o debate. “Só dá para começar a falar sobre isso depois do segundo turno”, afirmou, em declaração publicada pelo Agenda do Poder.
As opções do PL
Dentro do PL, dois nomes concentram as conversas. O deputado Anderson Moraes, reeleito com 129.325 votos, era apontado como o preferido do grupo de Douglas Ruas. Segundo a coluna do Tempo Real, porém, ele perdeu força após o resultado nacional, por ser identificado com a ala bolsonarista e próxima de Flávio, e pode nem chegar a entrar na disputa.
O outro é Guilherme Delaroli, de Itaboraí, quinto deputado estadual mais votado do Rio, com 166.374 votos, e atual primeiro vice-presidente da Alerj. Delaroli presidiu a Casa interinamente após o afastamento de Rodrigo Bacellar, preso em dezembro de 2025, e conhece a máquina administrativa da Assembleia. “Peguei a Casa em crise e pacifiquei. Se for a escolha do grupo, serei presidente de todos, independentemente de partido”, disse, em declaração publicada pelo site Brasil em Folhas no início do mês. Também foram citados nas articulações Jair Bittencourt (PL) e Gustavo Tutuca (PP), que, questionado, respondeu: “Sei disso não”.
Oposição quer candidatura própria
Na oposição, a defesa de uma candidatura unificada vem de diferentes partidos. “Considero muito importante ter uma candidatura de oposição para a presidência da Alerj”, afirmou a líder do PSOL, Renata Souza, ao Agenda do Poder. A deputada Dani Balbi (PCdoB) também defendeu a união da esquerda na escolha da Mesa.
Há, porém, quem prefira evitar a polarização. O deputado André Corrêa (PSD) declarou que defende que a disputa “não seja o terceiro turno da eleição”. A referência é ao histórico recente da Casa: em 2025, Bacellar foi reconduzido à presidência com os votos dos 70 deputados, e o PL chegou a mirar uma recondução por consenso em 2027.
O que está em jogo
Douglas Ruas, eleito governador no primeiro turno após a anulação dos votos de Anthony Garotinho, segue como presidente da Alerj até a posse no Palácio Guanabara, marcada para 6 de janeiro. Antes disso, caberá a ele conduzir a votação do orçamento de 2027, que prevê déficit de cerca de R$ 14 bilhões. A partir de fevereiro, o novo presidente da Assembleia será peça-chave para a aprovação de medidas de ajuste fiscal e de projetos do Executivo.
Um comando da Alerj alinhado ao Planalto pode facilitar a interlocução com o governo federal, mas também tende a exigir mais negociação do governador com a oposição. Já uma presidência do PL daria ao Executivo maior controle da pauta, mas dependeria de apoios do centro. Até a publicação desta reportagem, PL e PT não haviam anunciado oficialmente seus candidatos. O cenário só deve se definir nas próximas semanas, à medida que os partidos fecharem a composição da base de Ruas.


