Anvisa alerta: ashwagandha do TikTok não tem registro no Brasil
Anvisa diz que suplemento de ashwagandha vendido via TikTok não tem registro e é proibido no país. Veja o que a agência recomenda e o que se sabe.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou, na semana passada, que o suplemento à base de ashwagandha, erva que ganhou fama nas redes sociais, principalmente no TikTok, não tem registro no Brasil e não está entre os ingredientes autorizados para esse tipo de produto. Segundo a agência, a fabricação, a comercialização, a distribuição e o uso são proibidos no país. O aviso foi divulgado em 22 de outubro, conforme a Agência Brasil.
A planta, de origem asiática, é promovida em vídeos curtos como aliada para o relaxamento e para o alívio de sintomas da perimenopausa. A Anvisa lembra que suplementos não podem ser associados a promessas de cura, tratamento ou prevenção de doenças, prática que a agência classifica como “terminantemente proibida”.
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Como o produto circula sobretudo por vendas on-line e anúncios em redes sociais, o alerta vale para consumidores de todo o país, inclusive do estado do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana, de Niterói a Itaboraí.
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O que a Anvisa diz sobre a ashwagandha
De acordo com o alerta, a ashwagandha não consta na lista de substâncias autorizadas para uso em suplementos alimentares. A regra está na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 243/2018, que exige que esses produtos sejam feitos apenas com constituintes permitidos e cumpram requisitos sanitários. Segundo a agência, o produto não tem registro no país.
A agência citou o caso de uma mulher no Reino Unido que teria sofrido insuficiência hepática, paradas cardíacas e lesão cerebral grave depois de usar o produto. Os textos divulgados sobre o alerta não detalham a fonte nem a data desse episódio, e a Anvisa não informou, nas publicações consultadas, quantos eventos adversos foram notificados no Brasil.
Suplemento não é remédio
Na definição da regulamentação, suplementos são produtos de uso oral, como comprimidos, cápsulas, pastilhas, pós e barras, que fornecem nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos a pessoas saudáveis. A Anvisa afirma que eles podem ajudar quem precisa de mais de um nutriente ou pratica atividade física intensa, mas ressalta que “nem todas as pessoas precisam” usá-los.
A agência explica que os principais perigos vêm de produtos irregulares, seja por conterem substâncias não avaliadas, seja por falhas na fabricação. Mesmo itens regularizados podem causar danos quando usados contra a necessidade da pessoa ou contra as orientações do rótulo. A recomendação é que a decisão sobre tomar suplementos seja tomada com profissionais de saúde, considerando o estado de saúde, a alimentação e a rotina de exercícios.
Proibido ou não autorizado: a diferença
A Anvisa usa o termo “proibidos” ao falar do produto, mas as reportagens consultadas descrevem, no detalhe, que a ashwagandha não é um ingrediente autorizado em suplementos, o que torna irregular a venda dessas formulações. O texto da Agência Brasil não traz o link do comunicado específico da agência, apenas o da RDC 243/2018, e o alerta se refere a suplementos, não a outros usos da planta.
Por que o tema se espalha nas redes
O alerta foi divulgado dois dias depois de a Agência Lupa apresentar o relatório “Raio-X da Desinformação em Saúde”. O levantamento analisou 764 materiais checados entre março de 2017 e junho de 2026 e classificou 667 como falsos, ou 87,3%. Entre as estratégias mais frequentes estão a falsa autoridade médica ou científica (21,6% dos casos) e as soluções simples para problemas complexos (12,6%), padrões comuns em anúncios de produtos de bem-estar.
O estudo faz a ressalva de que os dados vêm das checagens da própria agência e não provam, por exemplo, a origem de cada conteúdo falso. Ainda assim, ajuda a explicar por que um suplemento sem registro pode ganhar alcance rapidamente quando associado a relatos pessoais e a promessas de benefício.
O que fazer em caso de dúvida
Quem já comprou ou usou produtos com ashwagandha deve conversar com um profissional de saúde, sobretudo se houver sintomas. A Anvisa mantém o sistema VigiMed, em que cidadãos e profissionais podem notificar eventos adversos de produtos sujeitos à vigilância sanitária. Antes de adquirir qualquer suplemento, a orientação é conferir o rótulo, desconfiar de promessas de cura e verificar a regularidade do produto nos canais da agência.
O desfecho do caso depende agora da fiscalização sobre anúncios e vendas on-line, tema que a Anvisa já vem enfrentando em outras frentes, como o das canetas emagrecedoras irregulares. Nas publicações consultadas, não há menção a ações específicas contra vendedores do suplemento nas redes.



