Passageiro morre baleado em BRT do Rio de Janeiro

Um passageiro morreu na manhã desta quarta-feira (30) depois de ser atingido por um tiro dentro de um ônibus articulado do BRT no corredor Transolímpica, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio.

Um passageiro morreu na manhã desta quarta-feira (30) depois de ser atingido por um tiro dentro de um ônibus articulado do BRT no corredor Transolímpica, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. A vítima foi identificada como Flavio de Abreu Lira, de 53 anos. No momento do disparo, policiais militares faziam uma operação na comunidade Dois Irmãos, em Curicica, área vizinha à via. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga de onde partiu o tiro.

O que aconteceu

Segundo o relato de veículos que acompanharam o caso, o ônibus seguia lotado pelo corredor, na altura da estação Ventura, quando foi perfurado por um projétil. Flavio estava de pé e foi atingido no abdômen. O motorista seguiu até a estação Asa Branca, na divisa entre Curicica e Barra Olímpica, onde o socorro foi acionado. O Corpo de Bombeiros informou ter recebido o chamado às 6h12. O passageiro não resistiu.

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Passageiros relataram momentos de pânico dentro do veículo. Como a vítima estava sem documentos, outros usuários usaram o celular dele para avisar a família. A estação Asa Branca ficou interditada para a perícia e o trecho foi liberado por volta das 9h, de acordo com a imprensa local.

A Mobi-Rio, empresa municipal que opera o sistema, afirmou que o passageiro foi atingido por “uma bala perdida”, lamentou a morte e informou que agentes do programa BRT Seguro foram mobilizados para o local.

A operação na comunidade Dois Irmãos

A ação policial era conduzida pelo 18º BPM (Jacarepaguá), com apoio do Grupamento de Ações Táticas (GAT). De acordo com a Polícia Militar, o objetivo era localizar criminosos envolvidos em disputas territoriais e investigar ataques recentes na região. A área de Curicica é disputada por Comando Vermelho, Terceiro Comando e grupos milicianos.

Em entrevista ao RJ1, da TV Globo, a tenente-coronel da PM Claudia Moraes disse que um acampamento foi localizado “muito próximo do local de onde podem ter partido os tiros”. Segundo a PM, os disparos foram feitos “em rajada ou de forma agrupada, padrão que não corresponde à atuação das forças de segurança”. Ainda de acordo com a corporação, dois homens foram presos e foram apreendidos três fuzis, sete radiotransmissores, carregadores e um colete à prova de balas.

Investigação ainda sem conclusão

A principal linha de investigação da Polícia Civil é a de que traficantes tenham atirado para tentar impedir o avanço dos policiais. A origem do disparo, no entanto, ainda não foi confirmada oficialmente. A confirmação depende de perícia no ônibus, do exame do projétil e da análise balística, além dos depoimentos de passageiros, do motorista e dos agentes que participaram da operação.

Casos como este costumam envolver versões conflitantes, e a apuração independente da trajetória do tiro é o que define responsabilidades. Por decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento da chamada ADPF das Favelas, operações policiais no Rio devem seguir protocolos que incluem o uso de câmeras corporais e cuidados redobrados perto de escolas, unidades de saúde e locais de grande circulação. Até a publicação desta reportagem, não havia informação sobre imagens de câmeras dos policiais envolvidos na ação desta quarta.

Balas perdidas no Rio em números

A morte no BRT se soma a uma estatística recorrente na capital. Levantamento do Instituto Fogo Cruzado citado pela imprensa nesta quarta aponta 48 pessoas atingidas por balas perdidas no Rio em 2026, com nove mortes e 39 feridos. Em março, dados do mesmo instituto divulgados pela Agência Brasil indicaram que quase 1,4 mil pessoas foram vítimas de balas perdidas na região em dez anos.

Jacarepaguá aparece com frequência nesses registros. Em maio, o bairro teve cinco tiroteios que deixaram cinco mortos, segundo o Fogo Cruzado. A região concentra comunidades disputadas por facções e milícias, o que torna comuns confrontos próximos a vias expressas como a Transolímpica, a Linha Amarela e a Estrada dos Bandeirantes.

Impacto para quem depende do transporte

A Transolímpica liga a Barra da Tijuca a Deodoro e é um dos principais eixos do BRT, usado diariamente por milhares de trabalhadores da Zona Oeste e da Zona Norte. Tiroteios nas imediações do corredor provocam interrupções, desvios e atrasos, e expõem passageiros que não têm alternativa de deslocamento. O episódio desta quarta ocorreu no horário de pico da manhã, com o ônibus cheio.

A morte também reacende o debate sobre segurança no sistema às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4), quando o transporte público na capital, incluindo o BRT, será gratuito das 6h às 20h. A segurança pública está entre os temas centrais da disputa pelo governo do estado.

Próximos passos

A DHC deve ouvir testemunhas e aguardar os laudos da perícia para determinar a autoria do disparo. O resultado da análise balística será decisivo para confirmar ou descartar a versão da PM. Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre o sepultamento da vítima.

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