‘Rei da Sucata’, suspeito de lavar dinheiro do CV, é preso em SP
Rodrigo Alcântara, o 'Rei da Sucata', foragido desde maio, foi preso em joalheria de SP. A Polícia Civil do Rio o liga à lavagem de dinheiro do CV.
O empresário Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara, conhecido como “Rei da Sucata”, foi preso na noite deste sábado (7) em uma joalheria de luxo de um shopping da capital paulista. Ele é investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro por suspeita de lavar dinheiro do tráfico para o Comando Vermelho (CV) por meio de empresas de reciclagem e comércio de metais. Estava foragido desde o fim de maio, quando foi deflagrada uma fase da Operação Contenção.
De acordo com as informações divulgadas por veículos como Brasil 247, Agenda do Poder e Tribuna do Sertão (esta última reproduzindo texto da Agência O Globo), a captura foi feita pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil fluminense, com apoio do Grupo de Segurança Institucional do Ministério Público de Minas Gerais e do Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Depois da prisão, o empresário foi levado ao Palácio da Polícia, no centro de São Paulo.
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Segundo a investigação, Rodrigo é o administrador de fato da Indústria e Comércio de Metais Pequi Ltda., empresa que, no papel, tinha o pai dele, Carlos Roberto de Alcântara, como administrador. O pai foi preso em maio. A reportagem não localizou, nas publicações consultadas, manifestação da defesa de Rodrigo ou de seu pai; o espaço segue aberto.
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O que a polícia atribui à Metais Pequi
Conforme a apuração atribuída à Polícia Civil, relatórios de inteligência financeira do Coaf identificaram que a Metais Pequi enviou cerca de R$ 3,7 milhões, em 27 operações entre abril de 2023 e maio de 2024, para a conta de Alex Sandro Ferreira de Araújo, o “Tek”. Entre maio e setembro de 2024, outros R$ 898,8 mil teriam seguido o mesmo caminho. Somados, os repasses chegam a cerca de R$ 4,6 milhões.
Tek é descrito nas reportagens como operador financeiro ligado a Antônio Ilário Ferreira, o “Rabicó”, apontado como chefe do tráfico no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. As publicações também citam transferências da Metais Pequi a contas associadas às empresas Ebrafios e Jornal Corporativo, que somariam cerca de R$ 1,6 milhão. As páginas consultadas não informam se essas empresas foram alvo de mandados.
O método descrito pelos investigadores inclui empresas de sucata e reciclagem, depósitos fracionados em espécie, contas de passagem e transferências cruzadas sem compatibilidade econômica aparente, o que, na avaliação da polícia, serviria para dar aparência legal ao dinheiro do tráfico. Esses são os termos da acusação; não houve condenação.
Fuga, Interpol e passagem pelos Estados Unidos
As reportagens indicam que Rodrigo deixou o país depois da operação de maio e chegou a ficar nos Estados Unidos. Havia, segundo a Polícia Civil, alerta da Interpol em seu nome. A investigação afirma que ele voltou ao Brasil no início de outubro, sem registro regular de entrada, e passou a circular por São Paulo, onde, segundo os relatos, a companheira publicava imagens do casal em redes sociais. Apenas um dos veículos consultados, o Portal Democrata, atribui o local ao Shopping Cidade Jardim e menciona que autoridades migratórias americanas teriam informado, no início de novembro, que ele estava em território dos EUA; essas duas informações não foram confirmadas pelos demais.
O nome não é novo nos autos. Em 2021, Rodrigo foi preso em Minas Gerais na Operação Sinergia, que apurou fraudes no comércio de metais e sucatas, com empresas de fachada e notas fiscais falsas. Nessa investigação, segundo as publicações, ele declarou administrar a Metais Pequi.
O caso Rabicó e a Operação Contenção
A fase de 29 de maio mirou o braço financeiro do CV. Segundo a CNN Brasil, foram cumpridas 162 ordens judiciais da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa do Rio, sendo 55 de prisão preventiva e 107 de busca e apreensão, em cidades do estado e em São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão. A Agência Brasil registrou números diferentes de mandados de prisão (21) e informou que a denúncia partiu do Gaeco do Ministério Público do Rio. A companheira de Rabicó foi presa naquele dia; ele não foi localizado.
Os valores também variam entre as reportagens: a de maio fala em movimentação acima de R$ 435 milhões em quatro anos, enquanto as deste sábado citam mais de R$ 453 milhões. A diferença não é explicada nas publicações.
O que falta esclarecer
Ainda não há informação sobre audiência de custódia, presídio de destino ou o juízo que expediu o mandado contra Rodrigo, nem sobre o paradeiro de Rabicó e de Tek. Para quem vive em São Gonçalo e na Região Metropolitana, o caso mostra o foco crescente das polícias no caminho do dinheiro das facções, e não apenas em armas e drogas. O portal acompanha o caso e atualizará a reportagem com a posição da defesa e os próximos passos na Justiça.



