Mpox: Rio tem 298 casos em 2026 e retoma vacina para grupos de risco
Estado do Rio soma 298 casos de mpox em 2026, sem mortes. Capital retoma vacinação para pessoas com HIV e imunidade baixa; veja grupos e postos.
O estado do Rio de Janeiro registra 298 casos confirmados de mpox em 2026, segundo balanço atualizado até 6 de novembro e divulgado pela Agência Brasil. Desse total, 207 casos foram confirmados na capital. Não há mortes registradas no estado nem no país neste ano. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio retomou na sexta-feira (6) a vacinação contra a doença, restrita a grupos considerados mais vulneráveis.
O número fluminense é mais que o dobro do registrado em 2025, quando o estado confirmou 119 casos, de acordo com os dados reportados. No país, o Ministério da Saúde contabiliza 665 casos em 2026, o que representa queda de 94% em relação a 2022, ano da primeira emergência internacional pela doença, quando o Brasil teve mais de 10 mil registros.
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A retomada da imunização ocorre depois de o Ministério da Saúde enviar, na quarta-feira (4), mais 2 mil doses ao estado. Com a remessa, o total de doses destinadas ao Rio de Janeiro em 2026 chega a 3,5 mil. A pasta também anunciou a compra de até 20 mil doses, de forma preventiva e estratégica, segundo a Agência Brasil.
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Diferença entre os balanços
Os números de casos no estado variam conforme a data de corte de cada divulgação. Em nota de 4 de novembro, o Ministério da Saúde citou 218 casos em 2026 no Rio de Janeiro, queda de 84,2% frente a cerca de 1,3 mil registros em 2022. O balanço mais recente, com dados até 6 de novembro, aponta 298 confirmações. Os números nacionais, de 665 casos, são os mesmos nas duas divulgações. Quem acompanha a série deve observar a data de cada balanço, já que a confirmação laboratorial pode atrasar a inclusão dos casos nas estatísticas.
Quem pode se vacinar
A estratégia nacional prioriza pessoas vivendo com HIV/aids com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células por milímetro cúbico. O esquema tem duas doses, com intervalo de 28 dias, e o cadastro é feito nos centros de referência em que o paciente já é acompanhado, para posterior agendamento. Havendo doses remanescentes, podem ser contemplados pessoas com HIV/aids com CD4 abaixo de 200, usuários de profilaxia pré-exposição (PrEP) e profissionais de laboratório que manipulam amostras do vírus.
Na capital, a retomada começou por pessoas com 18 anos ou mais que vivem com HIV/aids e têm CD4 abaixo de 200, mediante levantamento prévio e agendamento. A ampliação a outros grupos depende de novas remessas e de definições das autoridades de saúde. Para quem teve contato com um caso confirmado, a vacinação pós-exposição é indicada preferencialmente nos primeiros quatro dias e pode ocorrer em até 14 dias, com menor efetividade.
Onde a vacina é aplicada no Rio
A Secretaria Municipal de Saúde indicou cinco unidades de referência: os Super Centros Cariocas de Vacinação de Botafogo, do Shopping Nova América (Del Castilho) e do ParkShopping Campo Grande, o Centro Especial de Vacinação Dr. Álvaro Aguiar (CEVAA) e o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz (CRIE/INI). A distribuição das doses aos municípios é coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), e a aplicação fica a cargo das secretarias municipais. A orientação é confirmar critérios, disponibilidade e necessidade de agendamento antes de ir a um posto.
Especialistas descartam vacinação em massa
A infectologista Carolina Lázari, integrante da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, afirmou à Agência Brasil que “no momento não há necessidade de uma vacinação em massa”, e avaliou que as medidas preventivas adotadas pelo Ministério da Saúde se mostram eficazes. Segundo ela, o cenário atual é distinto do de 2022, quando a infecção se disseminou mais e atingiu também crianças.
O infectologista Rafael Galliez, do Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião, explicou que a transmissão ocorre principalmente por contato íntimo e por gotículas respiratórias, e que a orientação é procurar os serviços de saúde em casos suspeitos. Entre os sinais descritos estão erupções, bolhas e crostas no rosto, nas mãos, nos pés, na boca e na região genital, além de ínguas.
Há também cobranças por ampliação da oferta. Reportagem da Agência Aids registrou que ativistas alertam para a falta de vacinas e para falhas na prevenção. O Ministério da Saúde informou que novos envios podem ocorrer conforme a necessidade apontada pelo estado.
O que esperar
O desempenho da vacinação dependerá da chegada das doses anunciadas e da definição de novos grupos prioritários. A Organização Mundial da Saúde declarou emergência internacional pela doença em 2024, associada à circulação de outra linhagem do vírus, o que mantém a vigilância ativa. Para a população, o quadro atual combina aumento de casos em relação a 2025 com ausência de mortes e queda expressiva frente ao pico de 2022. As secretarias estadual e municipal de Saúde seguem como fonte de atualização dos balanços e dos critérios de vacinação.



